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Entenda como foi a escravidão na América

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Três volumes de narrativas fundamentais para entender a escravidão na América.

A editora Hedra lança os primeiros três títulos da coleção “Narrativas da Escravidão”: “Narrativa de William Wells Brown, escravo fugitivo”, de William Wells Brown; “Incidentes da vida de uma escrava”, de Harriet Jacobs; e “Nascidos na escravidão — depoimentos norte-americanos”, organizado por Paul D. Escott.

“Narrativas da escravidão” traz relatos em primeira pessoa daqueles que sofreram a experiência da escravidão norte-americana. Desde autobiografias publicadas no século XIX até depoimentos recolhidos no século XX, as vozes reunidas na coleção descrevem o universo familiar dos escravizados e a resistência do trabalhador, mas também a exploração e a violência simbólica, física e até sexual cometida pelos senhores brancos.

Seus testemunhos sugerem que o objetivo da escravidão racial num passado não muito remoto era análogo à utopia autoritária do capital no século XXI: desumanizar o ser humano até reduzi-lo à condição inanimada e sedutora de uma mercadoria.

Narrativa de William Wells Brown, escravo fugitivo

William Wells Brown (1814–1884) foi um abolicionista, romancista, dramaturgo e historiador afro-americano. Nascido escravo, fugiu para a liberdade aos 20 anos de idade e, aos 33, publicou essa narrativa. Aqui conta a história de sua vida nos estados do Kentucky e Missouri, onde trabalhou como aprendiz em um jornal, transportando escravos para a venda em Nova Orleans e em diversas outras atividades. Descreve os horrores da escravidão, o tráfico interno de escravos nos EUA e a relação de Brown com seus donos e familiares. O autor, no entanto, não hesita em revelar seus vícios e defeitos, destacando assim a individualidade que se desenvolveu sob uma instituição totalizante e desumanizadora, que via em homens e mulheres apenas braços para a lavoura e ventres para uma nova geração de cativos. A Narrativa de William Wells Brown é uma crítica à ganância e à hipocrisia religiosa, ao preconceito e à violência, mas, acima de tudo, é uma proclamação da humanidade do seu autor e de todos que sofreram ao seu lado.

Incidentes da vida de uma escrava

Nascida na Carolina do Norte por volta do outono de 1813, Harriet Ann Jacobs viveu a tragédia do cativeiro até principiar uma vida em fuga que terminou por levá-la ao Norte em 1842. Foi de Boston que Jacobs pôde produzir Incidentes da vida de uma escrava que, sem deixar de se inserir no corpus dos relatos da escravidão norte-americana, guarda uma singularidade: é pioneiro e inspirador das autobiografias femininas, e joga luz nos horrores que eram partilhados apenas entre as mulheres. “A escravidão é terrível para os homens”, escreve a autora, “mas é muito mais terrível para as mulheres”. Jacobs convive, antes e depois da fuga, com o perverso sistema de assédio e coação sexual contra o qual as escravas procuravam lutar. Transmitindo brilhantemente uma vida em prosa crua e seca, Incidentes da vida de uma escrava adiciona camadas de complexidade ao horror da escravatura. 

Nascidos na escravidão — depoimentos norte-americanos

Inéditas no país, a edição reúne narrativas de 204 ex-escravizados norte-americanos sobre temas centrais da escravidão nas Américas: cultura negra, resistência, violência, relações familiares durante a escravidão, trabalho, emancipação — organizadas por Paul D. Escott, historiador e professor da Wake Forest University. Coletadas através do Projeto Federal de Escritores (FWP), pertencente ao órgão Administração do Progresso no Trabalho (WPA), criado na esteira da Crise de 1929 para garantir a renda de escritores desempregados, as narrativas revelam a memória das milhares de pessoas sobreviventes ao trauma da escravidão. Ao todo, o Projeto Federal de Escritores salvou 2400 narrativas, aproximações de dentro, em perspectiva única, do que foi o escravismo sulista norte-americano, que às vésperas da abolição da escravatura contava com 4 milhões de escravizados em seus campos de trabalho.

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