Entrevistando Quem Produz com: Blood

Entrevistando Quem Produz com: Blood

BeatMaker, Cultura Hip Hop, Rap Nacional, Trap Music

Confira a entrevista exclusiva com Blood

Pra quem não sabe, o Beatmaker vem de uma caminhada bem longa na cena do Rap e do Hip Hop em geral, vindo de Santos, litoral de São Paulo, já produziu pra grandes nomes da cena, como Racionais, Thaíde, Haikaiss, Dexter e muitos outros e hoje nosso Entrevistando Quem Produz é com Blood, onde ele conta um pouco mais da sua carreira e de como chegou até aqui. Confere ai.

 

Revista Rap – De onde surgiu a ideia/vontade de ser um BeatMaker?

Blood: Eu tinha grupo, até por uma questão de economia, eu pensei em produzir pra mim mesmo, mas com o passar do tempo eu comecei a produzir muita coisa, a ponto de que o grupo que eu tinha não conseguiria escrever pra tanto beat que eu fazia e ai eu percebi que eu tinha mais habilidade com beat, até mesmo porque sempre tive uma certa facilidade com musica, aprendi a tocar violão quando era novo, como autodidata, então pendi mais pra esse lado da produção e ali fiquei.

 

Revista Rap – Quanto tempo está na cena do Rap?

Blood: No movimento Hip Hop eu to desde o ano de 1994, então uns 24 anos, e produzindo deve ter uns 12 anos mais ou menos, comecei no Hip Hop frequentando um projeto que tinha em Santos, quando eu tinha uns 13 anos, que se chamava Radio Rap Móvel, que os caras levavam como se fosse uma rádio de Rap todo final de semana, cada um em cada quebrada e a sede desse projeto é aqui na quebrada onde eu moro, comecei a frequentar e to ai até hoje, com 37 anos.

 

Revista Rap – Qual tipo de som mais curte fazer? (Rap, Trap, R&B, outros)

Blood: Eu gosto de fazer todo tipo de som, Rap tradicional, Boom Bap, Trap, R&B eu tive oportunidade de produzir recentemente num disco solo do Lino Krizz, nunca tive muita preferência, eu tenho uma caidinha pela sonoridade do Neosoul, mas não é muito um a preferência, vai de dia, tem dia que to na pegada de fazer algo mais agressivo, as vezes mais nostalgia, não tem esse lance não, o que importa é ser bem feita.

 

Revista Rap – Algum artista/BeatMaker te inspira? Qual?

Blood: Sou inspirado em bastante gente e não é só do Rap, tenho uma admiração pelo Kanye West, Dj Premier, Dj Quik, Dr Dre, mas eu também sou bastante ligado na produção musical em geral, pra mim meu favorito é o Quincy Jones, Isaac Hayes, os caras que faziam trilha sonora de cinema, John Barry, Lalo Schifrin, enfim, o que eu mais estudo assim de produção são mais esses caras, porque eles trabalham com um tipo de criação fundamentalistas, que eles precisam criar uma musica pra uma determinada cena, com um tipo de humor e isso é um desafio bem loco, então eu gosto muito disso.

O Quincy Jones é o mestre dos mestres, porque ele produziu desde o Thriller, que é o disco mais vendido da história da humanidade, até inúmeras trilhas sonoras, disco do Frank Sinatra, então essa versatilidade me chama muito atenção nele.

Aqui no Brasil eu gosto bastante do Dario, Skeeter, Mãolee que é meu parceiro, Nave, Laudz, Zinhobeats de SC, Neguinho beats, Dj Nato PK, o Dia que fez o disco de Rimas e Melodias. Tivemos também um produtor musical que era muito versátil, que faleceu a poucos anos, que é o Lincoln Olivetti, produtor musical de primeira linha, infelizmente se foi. Um que eu acho muito importante citar, que é o DJ Rafa, pra quem não sabe, ele produziu mais de 120 discos de RAP, muito da nossa estrada veio desses caras, DJ Rafa, Fabio Macari, DJ Cuca, que são os caras mais antigão. Pedro Lotto também é um grande produtor que surgiu agora na nova geração e eu tenho acompanhado e acho bem daora.

 

Revista Rap – Pra qual Rapper gostaria de Trampar, fazer um beat?

Blood: Fica meio genérico, mas fazer pro Snoop Dog, Jay-Z e tal, mas eu tive a sorte de conseguir concluir algumas metas e uma delas foi de conseguir trabalhar com grandes nomes da cena Nacional, então esse feito acabei conseguindo, porque já produzi pro Dexter, Pregador Luo, Thaíde, fiz som com LF que fazia parte do DMN e hoje vive em NY, me inspirou muito no passado e no final tive oportunidade de fazer parte da produção do disco do Racionais, Cores e Valores. Óbvio que fazer som com os gringos de nome, a gente tem vontade, mas aqui graças a Deus esse desejo eu consegui realizar.

Revista Rap – Qual sua visão desse tão falado “Hype”?

Blood: Esse lance de hype pra mim, ele sempre existiu só que não era tao grande porque não tinha internet e não tinha nem nome, mas ele é uma realidade, agora eu acho que não temos que dar tanta importância pra isso, se não ficamos refém do que ta sendo ditado pra nós, mas ai vem uma pergunta Quem é que ta ditando? Porque a internet é livre né, então quem é que ta empurrando pra nós determinado artista, segmento, tendencia, enfim.. O mínimo que podemos fazer dando a prova de solidez e inteligência é não ficar com nosso gosto refém disso, porque óbvio que temos sempre que procurar novidade, música nova pra nossa vida, mas a música também tem que ser atemporal, então eu sempre falo que não tenho necessidade de musica nova, se não sai música boa por 10 anos, não faz falta, diferente de eu não comer comida boa por uma semana, ai vai me fazer falta, então acho que não se deve dar tanta importância à isso, mas ai também é cada um cada um né!?



Revista Rap – Um dia ele (Hype) vai deixar de existir e ficar na cena quem realmente faz porquê gosta?

Blood: No dia que o hype deixar de existir, de fato só vai continuar quem realmente gosta e quem realmente é, mas isso se relaciona com a resposta da pergunta anterior, esse lance de hype pode desmotivar muita gente que ta agora e poderia ser uma pessoa de verdade, mas eu acho que não vai acabar, os critérios vão mudar, o nome vai mudar, mas vai existir algo correspondente.

 

Revista Rap – Sua visão sobre o Rap Underground e o Rap atual, o que você acha que mais mudou?

Blood: O que eu acho que mudou, é que quando começou a surgir os primeiros Rap brasileiros mais pop, muito da estética em nada representava a gente, da linguagem e tal, talvez somente a batida e hoje em dia a gente consegue ver uma galera que faz um som mais pop, mais voltado a entrar rádio e na TV, uma parada mais pop mas que tem a ver com a nossa linguagem. Outro dia tava tocando na novela uma musica que o Rincon Sapiência canta, que eu tenho quase que certeza que o que ele canta ali naquela musica, ele fala em qualquer lugar, tanto pra favela ouvir ou pra playboy ouvir e nada muda, então eu acho que nesse sentido evoluiu essa parada do pop e underground conversarem mais e estarem mais próximo, e o underground não esta tão underground assim, de uma parada mal gravada, mal mixada, mal escrita, agora tem um capricho, antigamente muita coisa que se dizia underground, não era uma parada legal, era mal feita e as vezes nem era questão de condição, era questão de capricho mesmo, hoje em dia não, a gente vê que as produções de musicas underground tem uma certa delicadeza em tratar o vídeo clipe, a arte da divulgação, a gravação, mixagem.

 

Revista Rap – Um rapper ou grupo da nova geração que você acha que ta chegando pra estourar ou fazer nome no rap?

Blood: Eu vou citar pelo menos dois, o Boy Killa, um artista que trabalha comigo já faz tempo e agora que ele está tendo uma boa repercussão do trabalho dele, fizemos um projeto que saíram dois sons que chama Afronta Volume 1 e 2, no parte 1 tem participação de Coruja BC1 e Rincon, na parte 2 tem Diomedes Chinaski, Coruja BC1 e Rashid, através disso ele ta evoluindo mais, estilo de escrita, temas e eu tenho certeza que muito em breve ele vai ta ai se aproveitando da fatia do mercado que pertence a ele.

Outro que eu quero citar é o Dril, que é um grande amigo que trabalha comigo faz tempo e bem esforçado, que persegue a excelência do trabalho, eu vejo que as coisas que eu falo pra ele que eu acho que vai melhorar, ele tem feito.. por conta disso a gente acabou não soltando praticamente nada, só um Clipe dele, mas tenho certeza eu quando vier, vai vir pesado.

 

Revista Rap – Vem novos projetos pela frente?

Blood: Os projetos que vem pela frente, estamos finalizando os últimos detalhes pra rodar o clipe da Mayara Magalhães, que é uma artista relativamente nova na cena, e o Vídeo Clipe vai ser de uma musica que eu produzi e tive o privilegio de ser mixada e masterizada pelo Johnny Monteiro, que é do RJ, espetacular.. E agora estamos começando a filmar o Clipe dela, estamos terminando os primeiros ajustes e vamos cair pra dentro. Espero que todos possam gostar.

 

Revista Rap – Atualmente você vive da música? Se sim, a partir de quando?

Blood: Tem um tempo que eu vivo de musica, graças a Deus, pelo menos uns 5 anos. Na verdade já fazia um dinheiro com música, mas dividindo com outras atividades, mas de um tempo pra cá o que eu tenho feito é só isso, música graças a Deus, com muito esforço e dedicação tem sido o suficiente.

 

Revista Rap – Se você tivesse que fazer o ultimo beat da sua vida hoje, como seria e para quem seria?

Blood: Provavelmente seria algum remake de alguma música que eu gosto e seria instrumental, só não me vem na cabeça agora qual seria.

 

Essa foi a entrevista com nosso parceiro Blood, abaixo vamos deixar alguns sons que ele produziu, junto com as duas redes sociais, para vocês ficarem ligados e não perderem nada do que está chegando por ai.

Racionais – 08. “Eu Compro” – Cores & Valores

 

Haikaiss – A Prova

 

 

Boy Killa – AFROnta 2

 

Intagram: @bloodzno

FaceBook: BloodBeatz

SoudCloud: Blodzno

Spotify: Bloodbeatz

 

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