Entrevistando Quem Produz com: Mãolee

Entrevistando Quem Produz com: Mãolee

BeatMaker, Cultura Hip Hop, Hype Rap, R&B, Rap Nacional, Trap Music

Um dos maiores BeatMakers da cena do Rap Nacional, Mãolee

Carioca de 35 anos, Henrique, vem de uma caminha muito grandiosa no Rap, desde 2006 ele começou a se envolver nessa cultura que hoje faz totalmente parte da sua vida. Produziu grandes artistas do Rap Nacional, tanto da nova, quanto da velha escola, como Filipe Ret, Djonga, Xamã e muitos outros.

Fizemos uma entrevista exclusiva com ele, onde o beatmaker passa uma visão muito daora do cenário do Rap e mostrando muito sobre sua caminhada, desde o início de tudo, até os dias atuais, e hoje ele é o nosso ilustre convidado para o “Entrevistando Quem Produz“, vale a pena dar um check e aprender muito com essa entrevista.

ENTREVISTA 

Revista Rap – De onde surgiu a ideia/vontade de ser um BeatMaker?

Mãolee: Minha vontade de ser BeatMaker veio das escolas de samba, aqui na Cardoso Junior onde eu sou nascido e criado, aqui no Rio, tem o bloco “chupa mas não baba” e o “Cardosão de laranjeiras“, que são blocos muito antigos que influenciaram muito minha vida, desde os 7 anos de idades eu já toco os instrumentos do bloco, surdo, repique, caixa, até chocalho eu toco, então eu gosto muito de percussividade e isso que me fez gostar muito.

Antes da música em si, eu gosto mais do balanço da música, “sacô”? Antes da letra eu ouço muito como ela se encaixa na batida, na melodia, eu sempre tive muita facilidade, de tanto treinar nos blocos, da gente desfilar aqui na rua e tudo mais, eu tenho muita facilidade com tempo musical, então eu gosto muito de fazer batida com a mão, em qualquer lugar eu fico batendo muito por essa carga cultural das escolas de samba, “sacô”? primeiramente veio disso.

Depois eu tive um grupo de pagode quando era mais novo, quando tinha uns 17/18 anos com uma molecada mais nova, nascido e criado juntos, tocamos um pouquinho nos bares, alguns lugares.. E depois veio a vontade de trabalhar com Rap, uns amigos já estavam fazendo Rap, já estavam escrevendo nas batalhas, e um amigo que era o Beni, me influenciou muito a fazer batida porquê ele era o único que conhecia e que fazia as batidas, então ele me introduziu ali, me mostrou como é que era, e eu cai pra dentro e estamos ai até hoje.

Revista Rap – Quanto tempo está na cena do Rap?

Mãolee: Então, na cena do Rap eu já trabalho desde 2006/2007, eu comecei a fazer batidas.. comecei logo junto com o Filipe Ret, já lançamos uma Margem Distante e foi em 2010 que a coisa vingou, com o lançamento do VIVAZ que a gente começou a rodar, então criando, trabalhando, lançando desde 2006/2007, mas realmente na cena acontecendo, vendendo show e rodando o Brasil, desde 2010.

Revista Rap – Qual tipo de som mais curte fazer? (Rap, Trap, R&B, outros)

Mãolee: O que eu mais curto fazer mesmo, é um R&B, uma coisa mais Soul, mais gostosinha, pegada mais cantada com muita melodia, isso é o que mais me agrada mesmo, mas eu gosto muito de sons que batem pesado, sons mais “under”, tenho curtido muito fazer Trap agora, acho que ultimamente eu tenho mais feito é Trap né, com essa onda ai, de tanto ouvir também, to muito influenciado pelo Trap, mas sempre puxa o lado mais Soul da coisa ali, entendeu? uma coisa mais harmônica, mais melodiosa.

Revista Rap – Algum artista/BeatMaker te inspira? Qual?

Mãolee: Um dos BeatMakers que mais me inspiram, desde muito tempo é o 9th Wonder, J Dilla que já morreu, Madlib me influencia, um estilo de produção mais louco, puxado pro jazz, entre outros.. DJ Premier me influenciou muito, Pit Rock, a pegada dele que eu mais tentei imprimir no meu tipo de produção… isso la fora, tem vários, Mike Jim, Dr. Dre é uma inspiração máxima, é o “Deus” da criação, intocável né cara?! mais tem muitos do momento la fora, Metro Boomin, London On da Track, Murder, um moleque novinho, to curtindo muito essa parada da galera nova.

Aqui no brasil tem uns monstros, Nave, Papatinho, curto muito o trabalho desses caras, me inspiram bastante o trabalho de quem ta em volta de mim, o próprio Beni que que citei antes, um cara que eu gosto muito do estilo, Tio Phill da Piramide Perdida, muito talentoso.

Um amigo de São Paulo também, o Blood, moleque muito bom, muito estudioso, do Soul, do Funk, Rap, esses caras me inspiram muito a trabalhar.

Revista Rap – Pra qual Rapper gostaria de Trampar, fazer um beat?

Mãolee: Tem vários, gostaria de ter feito som com Tupac, mas ele já morreu infelizmente, um dos meus maiores ídolos ai do Rap, aqui no Brasil, a Flora eu tive o prazer de produzir um som com ela no disco do Filipe Ret que ta pra vir ai, um som inédito, era uma vontade muito grande que eu tinha, e o Mano Brown, é um cara que eu gostaria muito de trabalhar de alguma forma um dia.

Revista Rap – Qual sua visão desse tão falado “Hype”?

Mãolee: Gostei da pergunta.. O Hype não deixa ser uma moda, é o que ta na moda.. na minha época de moleque chamava de “moda”, Hype é um nome mais simpático pra esse adjetivo que é antigo, mas eu acho muito interessante, porque a gente tem sempre que se renovar, os tempos mudam, a tecnologia avançou muito, com isso os tempos mudaram, a música mudou, claro que a gente não tem que se vender a qualquer coisa, temos que se vender sim, mas da forma que a gente acredita, da forma verdadeira, que cada um acredita, pra ser legitimo pra cada um.

Mas o hype é bom cara, é bom ter pessoas querendo isso, não que isso seja o mais importante, mas é uma coisa importante você ta aparecendo, lançar tendencia, é muito bom ter novas tendencias, novas formas de ver a arte, acho que isso contribui muito pra cena. O Hype tem que saber ser usado, pra não acabar com a sua carreira, se você ta trabalhando pra ta no Hype, você ta errado, essa é a minha visão, tem que fazer por um bem maior, estar o Hype, ser o hype é uma consequência, se for visto assim como uma consequência, eu acho que é muito saudável.

Revista Rap – Um dia ele (Hype) vai deixar de existir e ficar na cena quem realmente faz porquê gosta?

Mãolee: Eu acredito que vários que vão realmente se fortalecer na cena, sempre vão ter seu próprio Hype, as vezes um momento, ai sai um pouco de evidencia, mas tem um trabalho fixo, vai ficar na cena quem realmente trabalhar, claro que fazer por que gosta, é a primeira parada, fazer com amor.

É o que eu disse na resposta anterior, o Hype é só uma consequência, se ele se torna um objetivo principal, que é o que rola muito, muitos só fazem sucesso pra isso, o motivo é trabalhar pra ser feliz, porque gosta e faz e realmente ter um trabalho verdadeiro, porque as pessoas só compram o que é de verdade, porque depois se passar, for só uma modinha, um hypezinho, não fica porquê não teve trabalho, dedicação e não teve o amor pela parada.

Revista Rap – Sua visão sobre o Rap Underground e o Rap atual, o que você acha que mais mudou?

Mãolee: Eu acho que ainda existe Rap Underground, mas não aparece tanto, as vezes um do under vem e aparece mais, eu me considero underground, to mais under com tipo diferente de produção, que não é toa popular, mas eu tento ter um toquezinho mais popular, porque a gente tem que trabalhar, tem que alcançar as massas, lutar contra essa quantidade de musica meme, não que eu não vá fazer um dia uma musica meme, nada contra, mas as coisas mais fúteis são as que mais aparecem, acho que quando você fala do Rap é o ritmo e poesia, mensagem, talvez você queira dizer isso.

Mas acho que isso ainda vai ter muito mais grandeza, acho que a hora do Rap ainda via chegar, mas pra isso precisa segmentar, precisa ter Rap popzinho, mais Rap meme, mais Trap que não falam nada, só pra dançar, mais Raps conscientes, que lutam por uma ideologia, rap de auto afirmação, porquê o grande lance é isso, segmentar, cada um ter sua força no segmento que escolheu, no estilo que faz e ter público pra vender show e ter a industria acontecendo, eu acho que quando acontecer isso, o Rap under vai sobreviver muito bem, as pessoas que realmente fazem rap under e não querem ir pro mais pop, vão continuar ali e vão ter seu mercado, só que hoje é muio difícil ter seu mercado, ou você ta um pouquinho mais ligado ao popular ali ou você nao vende show, ou você faz seu publico mesmo. under.

“Meu público” vende show pra esse tipo de pessoa, ai você tem um nicho, quanto mais estabelecer esses nichos, melhor pra todos, tanto pro Rap under quanto pro popular, porque a coisa vai ter um grandiosidade e cada um vai poder fazer o que gosta e vai poder receber por isso, ganhar dinheiro por isso, vai poder ser um trabalho, por mais que no popular vá vender muito mais, muito mais dinheiro do que no under, mas também ele vai ser feliz, isso é o que conta, então o que eu acho que mudou é o que muita gente ta fazendo, percebendo que precisa estar mais no popular.

Revista Rap – Um rapper ou grupo da nova geração que você acha que ta chegando pra estourar ou fazer nome no rap?

Mãolee: Muitos recentes, tipo Xamã, Djonga e Froid os caras se estabeleceram, cada um em um estilo e já fizeram um nome, eu acho que sabendo trabalhar eles vão muito longe, não tem como dar errado.

E o nome que eu acho que vai vir muito em 2018 é o Matuê, to gostando muito da sonoridade das paradas dele, é o real Trap, gosta das melodias, vai muito pela música, meu jeito de ver, porquê me remete mais a musicalidade, o balanço. Acho que isso tem que ser mais entendido no Brasil pela juventude, o pessoal gosta mais da lírica, o Rap é muita lírica, mas o Trap atual, a música atual vem vindo mais pro balanço, pra dançar, pra não pensarem tanto e mais pra embarcar ali na onda, acho isso muito interessante, uma forma de se expressar na musica.

Revista Rap – Vem novos projetos pela frente?

Mãolee: Vem novos projetos sim, acabei de lançar A Fórmula em parceria com meu irmão Kayuá, Sain e o Froid, mais um single do meu disco, esse é o nome do disco “A Fórmula“, ta vindo mais um que é surpresa, que vai vir junto com o lançamento do disco, em breve ai to apresentando esse disco pra galera, e tem muitos artistas novos nos disco, antigos também, o disco ta muito maneiro, muitas participações bacanas, to muito feliz com o disco.

Revista Rap – Atualmente você vive da música? Se sim, a partir de quando?

Mãolee: Atualmente vivo da musica sim, somente da musica, desde 2010 que eu vivo da músicas, com a minha carreira com o Filipe Ret, minha sociedade com ele, nosso escritório, nossa venda de shows principalmente, porquê todo o valor que a gente arrecada na nossa gravadora e na nossa loja que são outras nossas duas sociedades, ali a gente só reinveste na nossa música, tudo que a gente recebe em música a gente reinveste em musica, reinveste em clipes, estrutura de estúdio, pagamento de funcionário, as camisetas, nossas roupas, nosso “merchan” é a mesma coias, a gente reinveste tudo e faz esse “merchan” acontecer.

Então hoje em dia minha carreira é sustentada pela música, graças a Deus espero que isso continue, com meu trampo solo também, que já vem rendendo muito nas plataformas streaming, em breve também to lançando minha carreira tocando e “vamo que vamo”.

Revista Rap – Se você tivesse que fazer o ultimo beat da sua vida hoje, como seria e para quem seria?

Mãolee: Pergunta engraçada, maneiro.. Cara eu faria o ultimo Beat da minha vida pro Filipe Ret com certeza, tenho muita sintonia de trabalho com ele, tive muita sintonia com ele, tive muita sintonia com vários, sempre quis trabalhar com vários artistas, por isso que eu fiz minha carreira solo, sempre quis entender como os outros artistas escreviam, faziam, soma ali com ele, fazer uma coisa ou outra, eu curto essa coisa de estúdio, onde eu mais gosto de trabalhar, mas com o Ret eu tenho uma sintonia muito grande, a gente teve uma formação musical no pagode e no funk do Rio de Janeiro, a gente morou perto da mesma areá, eu sou 2 anos mais velho que ele eu acho, então a gente foi muito influenciado pelo que os mais velhos gostavam, nossa área foi muito assim, roda de samba sempre, funk tocando no radio, no som da esquina, então teve muito essa influencia, que hoje faz a gente pensar muito parecido em muitas coisas, por mais que ele me aplique muito rock, muita escrita e eu aplique pra ele muito soul muita musicalidade, a gente tem uma sintonia muito boa no estúdio que eu acho que vai ser muito difícil com outro arista, então seria pra ele, tem que ser pra ele.

Depois dessa conversa, mostrando toda a trajetória de passando uma visão de tudo que ele vivenciou e vivencia na cena do Rap Nacional, deu pra perceber que o cara tem uma bagagem gigante e um enorme leque de conhecimento, vamos deixar 3 trampos dele pra vocês darem um check e também suas redes sociais para vocês acompanharem e ficarem por dentro de tudo que está por vir.

 

Mãolee – A Fórmula part. Kayuá, Sain & Froid [Prod. Dallass & Mãolee]

 

Mãolee – Maior Que Seu Mundo Part. Djonga e Xamã

 

Mãolee – Deleta Meu Telefone Part. ModestiaParte e Thiago Anezzi

 

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