Anúncio

Reflexões: o espaço das mulheres no rap nacional

Reflexões: o espaço das mulheres no rap nacional
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp

A visibilidade das mulheres é indiscutivelmente menor que a dos homens em movimentos artisitico-culturais no geral e isso não é diferente na cultura hip-hop. Você conhece mais rappers mulheres ou homens?

Enquanto no Museu de Arte de São Paulo, apenas 6% dos artistas do acervo ainda são mulheres, a lista dos 50 maiores rappers de todos os tempos, segundo The Brew Podcast, no twitter, não incluiu nenhuma mulher, como destacado pela BBC.

Em meados dos anos 80, com a chegada do rap no Brasil, só havia espaço para homens no movimento. Fala sério… a exclusão completa das mulheres, que era uma realidade até bem pouco tempo atrás na cena, soa como um verdadeiro paradoxo.

Olha que contraditório: um estilo musical que veio dos subúrbios para denunciar a violência e o preconceito contra os negros e periféricos, ou seja, um movimento declaradamente oposto às injustiças sociais, ignorando o preconceito sofrido pelas mulheres.

Negra Li

Enquanto as rappers continuam a ser sexualizadas frente às câmeras e seu potencial permanece ofuscado, a figura do homem é muito mais valorizada.

Inclusive, para serem melhor acolhidas e respeitadas nesse espaço, muitas minas tiveram que agir, falar e se vestir como homens, o que ainda é comum entre as talentosas artistas do ramo.

Sério mesmo que uma mulher precisa se parecer como um homem ou botar o decote no umbigo pra ganhar o respeito e atenção do público?

Diante de todo esse absurdo, é nossa obrigação reconhecer, principalmente pelo rap ser um discurso político: nos abstermos frente às desigualdades sofridas pelas minas não apenas faz essa realidade perdurar como também a reforça.

Se mantendo um posicionamento neutro não resolvemos nada, então temos que bater de frente com a assimetria social existente entre homens e mulheres, para romper com essa predominância.

Drik Barbosa

Não podemos deixar o rap, nascido como manifestação da juventude contra o racismo, se dissociar de outras lutas sociais que com ele se cruzam. Nesse contexto, traçar o seu vínculo com com o feminismo se torna indispensável.

É pensando nisso que a Revista Rap se sente na obrigação de abordar e exaltar nossa responsabilidade com as mina da cena. Esse papo é urgente e colaborar pra aceitação delas depende de nós.

À pretexto do mês das mães, pensando nas mulheres que amamos, fica a reflexão que deve ser levantada em toda época do ano e em benefício de todas as mulheres, até essa realidade mudar.”

Anúncio